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Residencial SP_01

XLIV ENCONTRO DE ARTE 
VISITA PRESENCIAL MONITORADA
TEMA: Residencial SP_01
DATA: 28 de julho, quinta-feira
HORÁRIO: 14h30 às 16h00
ESPECIALISTA:REJANE CINTRÃO

LOCAL: GALERIA TATO

Rua Dr Veiga Filho, 100 - Higienópolis

 

Este Projeto realizado pela Galeria Tato reúne 15 artistas de diversas gerações e residentes em diferentes Estados do Brasil, que ocuparam uma casa situada no Bairro de Higienópolis, em São Paulo, durante 35 dias. Durante esse período, fizeram pesquisas em diversos locais da cidade, receberam e visitaram artistas em duas comunidades, uma coleção privada e uma reserva técnica especializada em arte moderna e contemporânea, e realizaram uma nova produção, dividindo suas ideias com seus colegas de ateliê e com os curadores que acompanharam o percurso do trabalho desta experiência.  

 

Curadores: Priscila Arantes, Rejane Cintrão e Shannon Botelho.

Neste encontro vamos conhecer, pelas mãos da curadora de arte Rejane Cintrão, um processo riquissimo com novos artistas.

O valor para a inscrição deste evento é :

R$ 260,00 - para Quartières Trésor

R$ 290,00 - para Quartières Avant Garde

R$ 320,00 - para Quartières e convidadas

 

Vagas Limitadas

 

Quartière Trésor  - Caso ainda não tenha seu código, entre em contato com Rita Lobo.  

Ainda não é Trésor?  Clique aqui para saber como aderir.

 

​​Para efetuar a sua inscrição,  clique no botão abaixo:

REJANE CINTRÃO

 

Formada em Artes Plásticas pela FAAP, é mestre em História da Arte pela ECA/USP, é curadora independente. Iniciou sua carreira no MAC-USP no setor de Exposições Temporárias (1983-1991). Atuou como curadora executiva do Museu de Arte Moderna de São Paulo (1993 a 2006), e como coordenadora no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (2013-2021). Foi curadora das mostras: Arte Concreta Paulista - Grupo Ruptura (Centro Maria Antonia, São Paulo, 2002 – com livro publicado pela Cosac & Naify); 7SP, CAB, Bruxelas, Bélgica, 2011; além de diversas mostras realizadas no MAC-USP, MAM-SP e no Instituto Figueiredo Ferraz. Idealizou o Programa Novos Curadores (2010); os projetos de site specifics no Espaço Cultural do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos (2010- 2014), além de diversas curadorias para a Torre Santander, São Paulo (2011-2013). É autora do livro Algumas Exposições Exemplares: As Salas de Exposição em São Paulo de 1905 a 1930 (editora Zouk, 2011) e organizadora do livro Os Anos 80: Textos imperdíveis para entender a década, Instituto Figueiredo Ferraz, 2020.

ARTISTAS PARTICIPANTES

Yohana Oizumi, artista que tem participado de vários eventos na Tato, e de muitas outras mostras em São Paulo, expõe, concomitante a este projeto, em Portugal. Seu trabalho é calcado em cultos e crenças religiosas, principalmente na mística cristã. Performer, utiliza seu corpo como instrumento na realização de seus trabalhos. O gesto corporal está presente tanto nas esculturas quanto nos desenhos e pinturas que realiza em uma mescla de transe e meditação. Nas obras apresentadas na Residência SP_01 da Galeria Tato, Yohana traz elementos do cristianismo, mesclados às culturas africanas e egípcias, em especial no Deus egípcio Khepri. Cria uma espécie de espaço ritualístico, em uma instalação que mescla desenhos e formas em tecido. 

 

Duas cariocas, as mais jovens desta residência, vivenciaram a cidade de São Paulo com intensidade durante sua estada, tendo sido muito impactadas pela dinâmica citadina desta capital tão particular. Seus trabalhos encontram-se logo à entrada da área interior da galeria. Bea Palma, artista multidisciplinar, trabalha com cinema, escultura e desenho inspirados nas questões existenciais de Nietzsche e na alteridade. Intuitiva e autodidata, Bea realizou esculturas utilizando o barro e elementos da natureza - com a qual vive constantemente na cidade maravilhosa -, e desenhos de deusas que mesclam figuras egípcias e formas que nos remetem à escultura africana, nos levando a refletir sobre os diferentes povos e culturas que formam nosso país mundo e do nosso povo e país. Seu trabalho dialoga com os trabalhos de Yohana e com a instalação de Luisa Bresser, localizada no centro da sala. A também carioca Laura Regina, artista e psicóloga especialista em fenomenologia existencial, é exímia desenhista, se expressando por diversos meios, que vão da escrita ao vídeo. Seus trabalhos desenvolvidos durante a residência expressam experiências vivenciadas recentemente que também nos trazem questões da vida cotidiana que nos permeiam.

 

Freddy Cerdeira, residente em Maresias, viaja pelo mundo todo em busca de imagens subaquáticas por meio de ângulos e recortes que nos trazem a beleza do fundo do mar e dos seres que o habitam. Surfista e skatista, além de artista fotógrafo, Freddy nos encanta com suas imagens da natureza com a qual convive diariamente em sua pesquisa artística.  Seu trabalho abraça a instalação de delicados cogumelos em cerâmica realizados por Luísa Bresser durante a residência e dialoga com as figuras submersas na pintura de Michaela AF localizada na parede ao lado.

 

Luísa Bresser estudou artes e é formada em arquitetura, tendo atuado durante anos como designer de joias autorais. Seu processo criativo permeou o desenho e a joalheria, até se aproximar da cerâmica, meio que vem sendo explorado intensamente. Sua pesquisa refere-se às relações entre o indivíduo e o espaço. A natureza, da qual faz parte o barro utilizado na cerâmica, se faz presente em seu trabalho. Na instalação realizada nesta residência, inspirada no mapa do centro de São Paulo (tendo o marco zero como referência), a natureza e o tempo se fazem presentes, desde a concepção quanto à existência da obra, notável pelas peças realizadas à mão durante a residência, e a grama que a circunda, regada diariamente. 

 

Michaela AF, também formada em arquitetura, atividade à qual se dedicou durante muitos anos, trabalha com pintura desde 2013, tendo voltado sua atividade artística também à obras realizadas por fundição de vidro, meio que a levou a pensar com mais profundidade nas formas arredondadas e na transparência das cores. A artista trabalhou com afinco em suas telas durante a residência, cujos personagens foram inspirados nos transeuntes das ruas do centro de São Paulo e transformados em delicadas figuras diluídas na tela por meio de diversas camadas de tinta e materiais : “Busco na relação com a pintura o processo de relação com as cores, o deslocamento da imagem e a fluidez do campo pictórico.”, sinaliza a artista. 

 

Thiago Martins é formado em economia, tendo trabalhado no mercado corporativo durante 15 anos. Em 2018 decidiu tirar um período sabático e repensar sua carreira profissional, quando inaugura sua pesquisa artística. Em 2019 tem início seus estudos formais em artes plásticas na Escola Panamericana de Artes passando a se dedicar integralmente à produção artística. Sua pintura gestual, que abrange tanto a abstração quanto a figuração, apresenta liberdade no movimento do pincel e na utilização das cores. Seus retratos/máscaras surgem, muitas vezes, ao acaso, por meio do caminho sugerido pelos gestos e camadas de tinta aplicados sobre a superfície da tela ou do papel. Seus retratos dialogam com o personagem de costas pintado em grandes dimensões por Gabi durante a residência, e com as figuras desenhadas e pintadas por Lúcia Rosa, em papéis, telas, e diretamente sobre a parede.

 

A artista e arte educadora Lúcia Rosa, pós-graduada em artes visuais, trata das relações humanas em seus desenhos, pinturas e instalações com influência surrealista, onde a figura humana, em especial a feminina, é retratada com muita intensidade. Profissional em arte educação e atuando na área pública por muitos anos, Lúcia utiliza diversos materiais, sem preconceito, à exemplo de canetas de diversas marcas e tipos, lápis, guache, aquarela, acrílica, tecidos, verniz, entre muitos outros meios de expressão. Durante a residência, Lúcia Rosa realizou diversos desenhos e uma pintura mural, cujos personagens dialogam com as pinturas de Michaela, Thiago e Gabriela. 

 

Gabriela Stragliotto nasceu no interior do Rio Grande do Sul, tendo viajado com frequência pelo interior do Sul do Brasil até o Mato Grosso. Essas viagens e a observação de territórios e pessoas diferentes foram o ponto de partida para sua pesquisa artística. Formada em Comunicação Social, estudou pintura e técnicas mistas, tendo iniciado sua carreira na produção audiovisual. Sua pintura revela pessoas que são registradas em seu celular e colocadas em outra perspectiva por meio de campos de cor e formas. Seu trabalho e pesquisa envolvem as áreas de áudio, vídeo e texto, perpassando pela pintura figurativa contemporânea - embasada em imagens digitais registradas pela própria artista de pessoas anônimas -, assim como na pintura abstrata, que resulta em cenários abstratos e com perspectivas imaginadas, deslocando-os do real.

 

Esta primeira sala tem continuidade com a pintura da personagem solitária da artista Michaela AF, localizada em frente à escada que dá para o andar superior da casa, nos convidando a prosseguir pela exposição e a revê-la, com mais intensidade, ao descer os degraus ao retornar o caminho para o andar inferior.

 

Ao subirmos o primeiro lance de escadas, damos de frente para a pintura/colagem do jovem Rafael Vaz que vem sendo realizada há mais de dez anos, a partir de uma grande tela pintada, na qual foram coladas centenas de etiquetas de roupas, colecionadas ao longo dos anos. Artista e galerista, Rafael é um verdadeiro colecionador de revistas, objetos e imagens escolhidas a dedo em brechós da cidade e recontextualizadas por meio de colagens bi e tridimensionais, nos trazendo à memória personagens históricas do nosso cotidiano e de imagens da história da arte.

 

Lili Buzolin é formada em engenharia, tendo trabalhado no setor bancário durante anos. Eventos que ocorreram em sua vida trouxeram mudanças radicais que a levaram à atividade artística, à qual vem se dedicando desde então, tendo participado de diversos eventos na Tato e em outras galerias da cidade. Suas pinturas e desenhos refletem a organização e a metodologia de sua formação. Cada cor é estudada minuciosamente e aplicada a partir de diversas camadas e formas. Durante esta residência, Lili pediu a cada participante que desenhasse um percurso a partir de uma xerox de uma imagem de labirinto. As pinturas da série aqui apresentada são o resultado da sobreposição desses percursos onde a linha se transforma em quadrado. Já os trabalhos que a artista realizou anteriormente à residência, foram feitos a partir da sobreposição de cores pesquisadas por cientistas a partir dos sentimentos humanos como a inveja e a avareza, por exemplo. Lógica, sentimentos e trocas fazem parte da construção destas pinturas realizadas a partir de uma extensa pesquisa sobre a cor. 

 

As imagens geométricas e coloridas de Lili dialogam com a peça de Tuca Chicalé realizada pacientemente durante a residência, a partir de objetos coletados em seu dia a dia. Colecionadora de objetos, cadernos e livros, a exemplo de Rafael, Tuca  apresenta, também, uma série de cadernos/desenhos/esculturas e duas pinturas/colagens que são realizados a partir da retirada à mão das páginas e imagens sobrepostas. Ao mesmo tempo em que Tuca apresenta uma imagem geométrica, construída manualmente a partir de objetos produzidos maquinalmente, seus cadernos trazem imagens idílicas e surrealistas. 

 

Lourdes Colombo iniciou sua carreira artística nos anos 1990, época em que participou de diversas mostras em São Paulo, entre o MAC-USP, o Centro Cultural São Paulo, e a Casa do Sertanista, tendo realizado uma grande instalação/ocupação na Capela do Morumbi.  Suas pinturas, performances, vídeos e objetos são críticas ao mundo feminino e aos estereótipos de beleza da mulher, a partir de cores pesquisadas em diversas maquiagens: “Meu trabalho pesquisa as relações da mulher na sociedade como vaidade, identidade, sedução e envelhecimento. Atualmente me debruço sobre a pintura buscando a cor que traz a sensualidade e a carnalidade da matéria. Inicialmente a paleta escolhida era as cores das maquiagens, desde os tons pastéis aos tons de vermelhos dos batons, nessas pinturas os espaços são construídos geralmente por duas cores através de faixas regulares (seriadas) que tensionam essas áreas, elas são marcadas por camadas sobrepostas e muitas vezes raspadas revelando a cor de baixo.”

 

A pesquisa com a paleta de cores também faz parte das telas apresentadas por Mariana Branco.  Artista visual, terapeuta natural e escritora, Mariana vem utilizando diferentes suportes para traduzir, através da materialidade pictórica, temas metafísicos e espirituais tentando evidenciar a temática de que somos matéria energética. Para a artista, a poética de suas obras é como se revelassem uma espécie de Jornada Espiritual; “o caminho é imenso quando voltamos o nosso olhar para dentro, para o Ser Humano e para suas questões espirituais". Suas telas, de cores vibrantes, com gestos que revelam o movimento expressivo e, muitas vezes, a sobreposição de camadas pictóricas, revelam sua pesquisa e a busca por este estado puro de energia.


Por fim encontramos o delicado trabalho de Jamila Maria Bali. Formada em Cinema e Mídias Digitais pelo Centro Universitário IESB, com especialização em Direção de Fotografia pela Academia Internacional de Cinema, Jamila vem desenvolvendo uma produção potente em diálogo com o campo da imagem técnica. Explorando diferentes materiais, sua produção dialoga com o campo da fotografia, do cinema, do vídeo entre outras mídias para revelar discussões sensíveis e memórias através de trabalhos extremamente minuciosos e poéticos. Para a exposição Jamila nos apresenta diferentes projetos que tomam a fotografia como ponto de partida. Explora a imagem fotográfica experimentando diferentes suportes e, como uma espécie de fotografia em campo expandido, nos oferece novas formas de entrar em contacto com a visualidade fotográfica.