Dante e o Eterno Feminino

ARTS QA, POR CARLOS RUSSO

Dante e o eterno feminino.

Bloco 1/8

Prezadas quartières


É com grande satisfação que preparamos para as próximas semanas um dos poemas mais maviosos do grande poeta fiorentino do século XIV, aquele que soube ler a alma feminina, tornando sua personagem tão imortal quanto o próprio sentir do ser mulher.

Dante Alighieri foi político, poeta, estudioso da cosmologia e da ética de São Tomás de Aquino. Refugiado de Florença viveu no exílio a maior parte de sua vida e lá criou sua obra prima, “A Divina Comédia”, o maior poema de todos os tempos!

Dante, para aventurar-se pelos caminhos que conduzem ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso, necessitava um guia. Escolheu Virgílio, poeta criador da "Eneida", o poema que unira o mito grego ao Império Romano, mais de dez séculos antes do nascimento do poeta fundador do idioma italiano literário. Afinal, o Império Romano triunfante necessitava substituir seu "Rômulo e Remo", amamentados por uma loba plebeia, por um mito fundador fugitivo da destruída Troia, na figura de Eneias, filho do rei Príamo.

E Dante nos traz à "Divina Comédia" o poeta Virgílio, representando a Razão e a Sabedoria Divina, por sua vez fora designado como seu guia pela angelical Beatriz, um amor platônico do poeta, sentada ao lado de Deus no Paraíso.

(Continua na próxima semana)


ARTS QA, POR CARLOS RUSSO

Dante e o eterno feminino.

Bloco 2/8

Aquele que nós julgamos ser um dos ápices do poema, seu Canto V, ocorre num dos primeiros círculos do Inferno. Dante se depara com um casal todo entrelaçado, que é açoitado pelos ventos, Francesca e Paolo de Rimini. E será este Canto que podemos considerar como fundador do Eterno Feminino!

Pelos idos de 1280, vivia Francesca, uma nobre de Ravena, afamada pela beleza, a inspiração de Dante Alighieri; era filha de Guido da Polenta, hospedeiro do poeta exilado. Guido era o governante da cidade, que estivera em guerra com a de Rimini. Por um acordo de paz, o pai concedera Francesca em casamento a Giovanni Malatesta, muito mais velho e de péssima aparência. Como ele soubesse que a filha não concordaria em casar-se, o enlace foi realizado por procuração, através de um irmão jovem do noivo, Paolo Malatesta. Acontece que os cunhados não tardaram em se apaixonar e, atraídos para uma cilada pelo marido enganado, foram ambos assassinados.

Até aí basta-nos a história, pois a Francesca de Dante é antes de qualquer coisa uma criação de artista, de gênio, a “primogênita, a primeira mulher viva e verdadeira surgida no horizonte poético dos tempos modernos”², personalidade poética de um ideal cabalmente levado a termo, com todos os conceitos prevalentes na poesia da época: amor, elegância, pudor, pureza e, principalmente, gentileza.

(Continua na próxima semana)



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